Maram Susli: um enclave curdo na Síria é uma ideia muito má

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@ gianalytics.org

Por Maram Susli em Global Independent Analytics – 6 de Abril de 2016

PORQUE É QUE UM ENCLAVE CURDO NA SÍRIA É UMA IDEIA MUITO MÁ

Algumas razões simples que explicam porque é que a reivindicação da autonomia federal e a anexação de território sírio pelo PYD/YPG são ilegítimas, antidemocráticas e podem conduzir ao genocídio.

1. Os curdos não são a maioria nas áreas que PYD/YPG procuram anexar

A região de Al Hasakah, que o Partido Nacionalista Curdo (PYD) e sua ala militar YPG têm declarado ser um estado federal curdo, não tem uma maioria curda. A província de Al-Hasakah é um mosaico de cristãos assírios, arménios, turcomanos, curdos e beduínos árabes. Dos 1.5 milhões da população de Al Hasakah apenas 40% é etnicamente curda. Além disso, em partes da governadoria de Al Hasakah, tais como o distrito de Al Hasakah, os curdos são menos de 15% (!). Nos outros grandes grupos de minorias na área, árabes e cristãos assírios constituem a maioria. Declarar uma pequena área com uma grande variedade de grupos étnicos como pertencente a uma minoria étnica específica é receita para opressão.

A população curda de Al Hasakah também tem sido fortemente infiltrada pela imigração ilegal curda proveniente da Turquia. A imigração curda para a Síria iniciou-se na década de 1920 e ocorreu em várias vagas após múltiplos levantamentos falhados dos curdos contra a Turquia. Continuou ao longo do século. Em 2011, a população curda na Síria chegou aos 1.6-2.300.000, mas 420.000 deles foram da Síria para o Iraque e Turquia, por causa do presente conflito. Alguns curdos sírios vivem em Homs e Damasco desde há centenas de anos e foram absolutamente assimilados pela sociedade síria. No entanto, os imigrantes ilegais curdos que na sua maioria residem no norte da Síria, e que não conseguiram provar que já eram residentes na Síria antes de 1945, queixam-se de opressão por não lhes terem sido concedidos os direitos atribuídos aos cidadãos sírios. A lei síria determina que apenas têm direito à cidadania síria os nascidos na Síria filhos de pai sírio. Não foi atribuída a cidadania a nenhum refugiado, palestino, da Somália ou do Iraque, independentemente de qual tenha sido o tempo de estadia no país. Apesar disso, em 2011, o presidente sírio, concedeu a cidadania síria a 150.000 curdos. Isso não impediu o YPG de usar imigrantes curdos ilegais a quem não foi concedida a cidadania como justificação para a anexação de território sírio. Aqueles que promovem o federalismo estão a impor a vontade de uma pequena minoria – que não é de origem síria – à totalidade da população de Al Hasakah e de toda a Síria.

2. É antidemocrático impor o Federalismo à maioria dos sírios

O PYD não se preocupou em consultar outras facções da sociedade síria antes da sua declaração unilateral de federalismo. As outras étnias que residem na governadoria de Al Hasake, que o PYD afirma ser agora um estado curdo autónomo, têm claramente rejeitado o federalismo. Uma assembleia de clãs sírios e tribos árabes em Al Hasaka e a Organização Democrática Assíria (ADO) rejeitaram a declaração de federalismo do PYD. Em Genebra, tanto o governo sírio como oposição rejeitaram a declaração federalista do PYD. Além disso, o PYD não representa toda a população curda da Síria. A facção curda da coligação nacional síria condenou a declaração de federalismo do PYD. A maioria dos curdos da Síria não vive em Al Hasakah e muitos dos que lá vivem trabalham fora. Milhares de curdos juntaram-se ao ISIS e estão a lutar por um estado islâmico e não por um estado curdo.

A declaração unilateral de federalismo não tem qualquer legitimidade uma vez que a federação só pode existir através de uma mudança na ordem constitucional e de um referendo. É improvável que o federalismo angarie apoio substancial da maior parte da população da Síria, da qual 90-93% não é curda. Sabendo disso, o PYD proíbiu os moradores de Al Hasakah de votar nas próximas eleições parlamentares que decorrerão em todo o país. Isto demonstra que a vontade do povo de Al Hasakah já está a ser esmagada pelo PYD. Não é democrático continuar a discutir o federalismo como uma possibilidade futura quando tem sido rejeitado por muitos segmentos da sociedade síria. Irónicamente, é-nos dito que o propósito da aventura da mudança de regime preconizada pelos EUA para a Síria é trazer a democracia ao Médio Oriente.

3. O federalismo comporta um risco de limpeza étnica para os assírios cristãos e outras minorias

Uma vez que a população curda não é maioritária nas áreas que o PYD está a tentar anexar, os últimos anos têm revelado que PYD/YPG não excluem recorrer à limpeza étnica das minorias não-curdas para conseguirem uma alteração demográfica. A principal ameaça às reivindicações territoriais etnocêntricas curdas sobre a área provém das outras grandes minorias, os árabes e os cristãos assírios.

Salih Muslim, o líder do PYD, declarou abertamente a intenção de conduzir uma campanha de limpeza étnica contra os sírios árabes que vivem onde ele agora chama Rojava. “Os árabes que foram trazidos para as áreas curdas terão de ser um dia expulsos”, disse Muslim numa entrevista à Serek TV. Dois anos após esta entrevista cumpriu a sua palavra, pois o YPG começou a incendiar aldeias árabes em redor da província de Al Hasakah, esperando conseguir uma mudança demográfica. Estima-se que até agora tenham sido étnicamente removidos da província de Al Hasake dez mil moradores árabes. As aldeias ao redor de Tal Abayad foram as que mais sofreram, uma vez que os expansionistas curdos procuram ligar os centros populacionais não contíguos de Al Hasakah e Al Raqqa. “O YPG queimou a nossa aldeia e saqueou as nossas casas”, disse Mohammed Salih al-Katee, que em Dezembro deixou Tel Thiab Sharki, perto da cidade de Ras al-Ayn.

O YPG também iniciou uma campanha de intimidações, homicídios e expropriações contra a minoria cristã assíria. YPG e PYD fizeram disto uma política formal de saque e confisco dos bens dos que escaparam das suas aldeias depois de um ataque do ISIS, na expectativa de repovoamento das aldeias assírias com curdos. Os moradores assírios da área de Khabur na província de Al Hasaka formaram uma milícia chamada Guarda Khabour na esperança de defender as aldeias dos ataques do ISIS. Os líderes do conselho Guarda Khabur protestaram contra os saques dos milicianos curdos do YPG às aldeias assírias evacuadas após os ataques do ISIS. Posteriormente, o YPG assassinou o líder da Guarda Khabur, David Jindo, e tentou assassinar Elyas Nasser. O YPG procurou inicialmente atribuir a responsabilidade ao ISIS, mas Elyas Nasser, que sobreviveu e se encontrava hospitalizado, conseguiu expor o envolvimento do YPG. Desde o assassinato, o YPG tem forçado a Guarda Khabour a desarmar-se e a aceitar a sua “protecção”. Subsequentemente, a maioria dos residentes assírios do Khabour que tinham fugido para as áreas sírias da cidade de Qamishli controladas pelo Exército não puderam regressar às suas aldeias.

A comunidade cristã assíria em Qamishli também tem sido assediada pela milícia curda do YPG. O YPG atacou um posto de controle assírio matando um combatente da milícia assíria Sootoro e ferindo outros três. O posto foi criado depois de três restaurantes assírios terem sido bombardeados em 20 de Dezembro de 2015 num ataque que matou 14 civis assírios. Os assírios suspeitaram que o YPG estava por detrás desses atentados, numa tentativa de assassinar líderes assírios e prevenir quaisquer reivindicações de controle sobre Qamishli.

Seria tolice ignorar os sinais de que poderão ocorrer campanhas de limpeza étnica mais alargadas se os expansionistas curdos forem apoiados, especialmente desde que outros grupos étnicos discordaram dos seus planos de federalismo. Só ainda passaram 90 anos desde o genocídio assírio conduzido por turcos e curdos. Essa história não pode ser repetida. Desde então os assírios têm desfrutado de segurança e estabilidade no estado sírio. Forçar os assírios a aceitar o federalismo não lhes vai garantir a segurança. A criação de um estado curdo federal no Iraque também não tem protegido as aldeias assírias de ataques de grupos armados curdos. A campanha de limpeza étnica contra ambos, assírios e árabes, em Al Hasakah, já começou e agora só pode escalar.

4. Os recursos em Al Hasake são compartilhados entre todos os sírios

Enquanto os curdos constituem apenas 7-10% da população total da Síria, o PYD exige 20% do território da Síria. Além do mais, a região de Al Hasakah que o YPG quer anexar tem uma população de apenas 1,5 milhões. Grande parte da riqueza da Síria em agricultura e petróleo está localizada em Al Hasakah e é compartilhada por 23 milhões de pessoas. A província de Al Hasakah produz 34% do trigo da Síria e muito do petróleo do país. As estações de bombeamento de petróleo estão agora a ser utilizadas pelo ISIS e curdos do YPG para financiar os seus esforços de guerra, privando dele o povo sírio.

Enquanto as manchetes abundam sobre a população faminta da Síria, pouco se diz sobre como a federalização da Síria poderia legitimar a fome das próximas gerações. Em vez disso, os promotores do Federalismo discorrem sobre a forma como a entrega dos recursos compartilhados por 23 milhões a 1,5 milhões de pessoas conduzirá à paz.

5. A região curda na Síria será uma ameaça à segurança global

Uma vez que a maioria da população da Síria e o governo da Síria se opõem às reivindicações de anexação dos curdos, o PYD não será capaz de implementar o federalismo através de meios legais. A única forma de PYD e YPG poderem chegar ao federalismo é através da força bruta. Esta força bruta pode ser apoiada pela força aérea dos Estados Unidos e por uma invasão de forças especiais, o que contraria o direito internacional. O líder do PYD, Saleh Muslim, já ameaçou atacar as tropas sírias se tentarem retomar Raqqa ao ISIS. Um estado curdo na Síria à semelhança do Curdistão iraquiano garante a hegemonia dos EUA na região. Como o KRG [1], o YPG já está a tentar construir uma base dos EUA em solo sírio. A Rússia, que tem sido aliada da Síria desde há longo tempo, ficará consequentemente ainda mais isolada. Isto afectará mais uma vez o equilíbrio de poder no mundo.

Os países vizinhos da Síria também se opõem todos a um Estado curdo etnocêntrico na Síria. O YPG está ligado ao PKK, que está activo na Turquia e que as Nações Unidas designaram uma organização terrorista. A Turquia verá nas reivindicações de federalismo do YPG o reforço do PKK. Como consequência, a Turquia poderá invadir a Síria, gerando pelo menos uma guerra regional. Esta guerra regional poderia envolver o Irão, a Síria, o Hezbollah e Israel.

Israel quer criar um Curdistão, como rival sunita-iraniano para o Irão xiita. Esperam que um tal estado sunita vá bloquear o acesso do Irão à Síria e que impeça a resistência libanesa de se opor à invasão israelita. Tudo isto foi realçado no Plano Yinon de Israel publicado em 1982. Israel é uma extensão da acção e hegemonia dos Estados Unidos na região, o lobby israelita tem muita influência sobre a política dos Estados Unidos. Reforçar Israel na região irá reforçar a influência dos EUA sobre a região, mais uma vez, diminuindo a influência russa e encurralando uma potência nuclear. Os jornalistas que se mostram baralhados com a razão pela qual o Ocidente apoia o expansionismo curdo devem considerar este ponto.

Finalmente, a ideia da designada “área curda” na Síria está profundamente enraízada no chauvinismo etnocêntrico. Um estado norte-americano estritamente designado de etnicidade hispânica, branca ou negra seria uma sugestão escandalosa e seria considerado racista. Mas o recurso à etnicidade como meio para dividir e conquistar é a forma mais antiga e mais cínica do imperialismo. A Síria deve ficar para todos os sírios, e não apenas para uma minoria. As vozes que a tal se opõem devem ser desencorajadas. A Constituição síria deve continuar a resistir a todos os partidos de base religiosa e etnocêntrica. Se houver uma alteração à Constituição síria, deveria ser a remoção da palavra “Árabe” da designação República Árabe da Síria. Apesar do facto de a grande maioria sírios falar a língua árabe, a maioria dos sírios são históricamente não étnicamente árabes. Todos os sectores da sociedade síria devem ser tratados como iguais sob a bandeira síria.

[1] O governo regional curdo no Iraque

tradução de MC

 

 

 

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A Turquia já não considera a Al-Nusra uma organização terrorista

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crédito Cumhuriyet

A Jabhat Al-Nusra é a filial da Al-Qaeda na Síria. A crer na notícia do Cumhuriyet as autoridades turcas decidiram excluí-la da lista de organizações terroristas. Numa entrevista recente o líder da Nusra disse que a prioridade do grupo é derrubar Assad e que não planeiam atacar o Ocidente se não forem atacados, o que pode ser verdade ou não, mas o facto não altera a natureza desta organização nem os métodos utilizados para prosseguir os seus fins. Ademais, a central da Al-Qaeda pode em qualquer momento mudar de estratégia.
A Turquia, estado-membro da OTAN, tem um histórico que os europeus devem ter presente. Envolveu-se no Chipre, Curdistão iraquiano, Chechénia, Bósnia, Albânia, Macedónia, Crimeia, Líbano e Síria. Esta Turquia chantageou os governos da União Europeia com os refugiados e o governo iraquiano com o dossier da água/gás, continua a ocupar metade de Chipre, a atacar os curdos na Síria e no Iraque, a apoiar os jihadistas que querem instalar na Síria um governo islâmico, tem procurado escalar o conflito do Médio Oriente exigindo o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea a norte e nordeste de Alepo, entre Azaz e Jarabulus, e abateu um SU-24 russo. Se a administração Obama não tivesse travado esta deriva e se os generais turcos não tivessem tomado posição contra o neo-otomanismo de Erdogan e de Davutoğlu, designadamente vindo a público dizer que as Forças Armadas da Turquia não interviriam na Síria sem mandato das Nações Unidas, as frágeis conversações de Genebra e o cessar-fogo não estariam a decorrer, apesar das sucessivas violações deste. Erdogan, Davutoğlu e o AKP não são o que a Turquia e a Europa precisam neste momento histórico.
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Golpe de estado na Turquia?

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foto picada em tapnewswire.com

Notícia recente no Middle East Eye sobre o presidente Erdogan. O MEE relatava uma conversa à porta fechada entre Addullah II e congressistas norte-americanos. Alegadamente, a conversa ocorrera em Janeiro, mas só agora surgia a fuga de informação. Tendo já lido na imprensa internacional várias outras notícias muito negativas para o presidente turco, interroguei-me se a “leak” significaria que chegara a hora de tramar Erdogan. Abdullah era citado pelo MEE como tendo dito que a crise dos refugiados com que a Europa se defronta não era acidental, como também não era acidental a presença de terroristas entre eles.

Hoje encontro na Voltaire Network um artigo com o seguinte título: “Obama e Putin acordam que o ditador turco Erdogan deve sair“. Dê-se um desconto à linguagem da Voltaire e à orientação que segue, por vezes demasiado extremada. Mas Erdogan é um chefe de Estado e não há fumo sem fogo.

Deixo o excerto que interessa:

“Especialmente importante é o acordo alcançado pelos presidentes Obama e Putin de há duas ou três semanas, de que a continuação do mandato do presidente turco Erdogan é intolerável, e que deve ser removido do cargo antes que inicie uma guerra mais alargada. Armas russas e americanas estão presentemente a chegar à Turquia com o propósito de acelerar a partida do ditador. Estão também a ser feitos contactos com partidos políticos turcos, oficiais generais do topo da hierarquia militar, e outros para ajudar à remoção do ditador. Os nacionalistas turcos estão a voltar-se contra Erdogan. O PKK também se mobiliza. A presidência de Erdogan é ilegítima porque a sua mais recente vitória eleitoral assentou em fraude eleitoral maciça.

A luta na Turquia ao nível da guerra civil é esperada para Abril. O princípio do fim de Erdogan transformará a situação de todo o Médio Oriente.

A maior parte das maiores cidades da Síria serão libertadas brevemente dos rebeldes terroristas. É provável que inclua Alepo, Palmyra, e Idlib. O ISIS/Daesh será apenas capaz de manter presença em Raqqa no nordeste da Síria, bem como em outras partes do Iraque. É expectável que a luta armada na Turquia venha a interromper o pipeline logístico dos rebeldes na Síria.

Esta linha dura de Moscovo e de Washington com Erdogan contrasta especialmente com a política da União Europeia (incluindo a Grã-Bretanha e França), que pagarão um tributo de €3 biliões por ano a Erdogan no futuro próximo para que o presidente turco aloje os refugiados sírios, impedindo-os de seguir para a Grécia. (…)

A entrevista de Obama à Atlantic Monthly é notável uma vez que é lida como as memórias de um presidente que já deixou o cargo, e que, como tal, se sente livre para falar com franqueza. Os seus comentários sobre o rei Salman da Arábia Saudita, Sarkozy, Cameron, e Erdogan são devastadores. A mensagem parece ser a de que foi dito a estes personagens para cooperarem, ou então as maquinações dos últimos anos serão expostas, e consequentemente desmontadas.”

Este texto é surpreendente. Quem prevê um golpe de estado na Turquia?

Link para a entrevista do presidente Obama:

http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2016/04/the-obama-doctrine/471525/

MC

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De volta à Líbia

 

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crédito: Wikimedia Commons, NordNordWest

Um artigo de Tom Engelhardt sobre a dificuldade que os EUA têm de se demarcar dos conflitos que iniciaram ou nos quais se viram de alguma forma envolvidos fez-me dar uma vista de olhos ao que se tem escrito no The New York Times sobre a Líbia.

A pesquisa foi breve e cingi-me a 2016.

Pentagon Has Plan to Cripple ISIS in Libya With Air Barrage – 8 Mar – But the plan is not being actively considered, at least for now, as the U.S. presses ahead with diplomatic efforts inside Libya.
Tunisian Clash Spreads Fear That Libyan War Is Spilling Over – 7 Mar – At least 54 people were killed on Monday as militants stormed a Tunisian town near the border
Tripoli, a Tense and Listless City With Gunmen and a Well-Stocked Hugo Boss Outlet –6 Mar – As conflict rages elsewhere in Libya, a precarious order holds in the capital, as heavily armed militias and politicians, nominally allied, vie for control.
Italian Hostages of ISIS in Libya Are Freed, but 2 Others Are Feared Dead – 4 Mar -Filippo Calcagno and Gino Pollicardo were released, but two other Italians captured with them, Fausto Piani and Salvatore Failla, were said to have most likely been killed.
In Their Own Words: The Libya Tragedy – 27 Fev – Architects of the Libyan intervention lament its aftermath
A New Libya, With ‘Very Little Time Left’ – 27 Fev – The fall of Col. Muammar el-Qaddafi seemed to vindicate Hillary Clinton. Then militias refused to disarm, neighbors fanned a civil war, and the Islamic State found refuge.
Hillary Clinton, ‘Smart Power’ and a Dictator’s Fall – 27 Fev – The president was wary. The secretary of state was persuasive. But the ouster of Col. Muammar el-Qaddafi left Libya a failed state and a terrorist haven.
Hillary Clinton’s Legacy in Libya – 27 Fev – As the secretary of state in 2011, Hillary Clinton pressed the Obama administration to intervene militarily in Libya, with consequences that have gone far beyond the fall of Col. Muammar el-Qaddafi.
Assessing the Shifting Military and Political Calculus in Libya – 24 Fev – A breakthrough in its tangled civil war, particularly in war-ravaged Benghazi, thrust Libya back into the headlines this week.
A Radical Idea to Rebuild a Shattered Libya: Restore the Monarchy – 24 Fev – After years of turmoil and frustration with the United Nations peace process, some suggest that a king can rescue the country.
Italy: American Drones to Get Base, Official Says – 22 Fev – Italy has agreed to allow American armed drones to take off from an air base in Sicily to fight Islamic State extremists in Libya.
U.S. Scrambles to Contain Growing ISIS Threat in Libya – 21 Fev – As U.S. intelligence agencies say the number of Islamic State fighters in Iraq and Syria has dropped, the group’s ranks in Libya have roughly doubled.
Serbian Hostages Killed in U.S. Airstrikes Against ISIS in Libya – 20 Fev – The deaths of two Serbian Embassy employees drew protests from Serbia and raised questions about the American intelligence that led to the strikes.
Libya: America’s First, and Latest, Target  – 19 Fev – The United States has a longer history of military intervention in what is now Libya than in any other country, dating from the Jefferson administration and America’s first foreign war.
U.S. Bombing in Libya Reveals Limits of Strategy Against ISIS – 19 Fev – The strikes, which Western officials said targeted a senior operative linked to attacks in Tunisia, highlighted a growing gap in American military and diplomatic efforts.
U.S. Expands Restrictions on Visa-Waiver Program for Visitors – 18 Fev – People who have visited Libya, Somalia and Yemen in the past five years are not eligible to enter the United States without a visa, the new rules say.
Obama Is Pressed to Open Military Front Against ISIS in Libya – 4 Fev – The number of Islamic State fighters in Libya has grown to between 5,000 and 6,500, Pentagon officials said, more than double the estimate of last fall.
John Kerry on Coalition Efforts in Libya – 2 Fev – Secretary of State John Kerry said Libya was “on the brink of getting a government of national unity,” and re-emphasized the importance of coalition in the fight against ISIS.
Anti-ISIS Coalition to Intensify Efforts, John Kerry Says – 2 Fev – The secretary of state said the formation of a national unity government in Libya would prevent the Islamic State from seizing control of the country.
Libyan Lawmakers Reject U.N.-Backed Unity Government – 25 Jan – The internationally recognized Parliament voted down a proposed 32-member cabinet in a blow to international efforts to help form a unified government.
Libya: Parliament Rejects Cabinet Plan – 25 Jan – Lawmakers in Libya overwhelmingly rejected a proposed United Nations-backed unity cabinet on Monday, dealing a blow to diplomatic efforts.
U.S. and Allies Weigh Military Action Against ISIS in Libya – 22 Jan – A decision on how to thwart the Islamic State’s beachhead in Libya could come very soon, Obama administration officials said this week.
Libya Nominates 32 Cabinet Members for a Unity Government – 19 Jan – Despite a step forward in a process aimed at bringing together the country’s warring parties, the formation of a single government still faces significant hurdles.
In Libya, U.S. Courts Unreliable Allies to Counter ISIS – 18 Jan – To stop the advance of the Islamic State’s potent Libyan branch, the United States and its allies have sought potential ground forces in a patchwork of militias.
Weary of Chaos, Factions in Libya Consider Peace – 12 Jan – Four years after Libya’s revolution, warring factions in Misurata have taken steps toward peace that could help lift the country out of war.
Truck Bomb Kills at Least 65 at Libya Training Camp – 7 Jan – There was no immediate claim of responsibility for the bombing in the western coastal town of Zlitan, one of the deadliest in the country in recent memory.
Oil Storage Tanks Burn After ISIS Attacks Ports – 6 Jan – A spokesman for the Petroleum Facilities Guards said at least nine guards and 30 militants had been killed.
Islamic State Attacks Oil Port – 04 Jan – Islamic State militants attempted to capture an oil port along Libya’s coast, in fighting that left at least seven people dead and set fire to a storage tank of crude oil.
Jihadists Deepen Collaboration in North Africa – 1 Jan – The active coordination is turning one of the most inhospitable territories on earth into a complex security challenge for African and global forces.

No artigo de 4 de Fevereiro escreve-se que Obama está a ser pressionado para abrir uma frente militar contra o ISIS na Líbia. No de 8 de Março pode ler-se que a administração preferiria uma iniciativa diplomática conducente à formação de um governo de unidade nacional: “The Pentagon has presented the White House with the most detailed set of military options yet for attacking the growing Islamic State threat in Libya, including a range of potential airstrikes against training camps, command centers, munitions depots and other militant targets.” (…)  “But the plan is not being actively considered, at least for now, while the Obama administration presses ahead with a diplomatic initiative to form a unity government from rival factions inside Libya“.

Há dois governos na Líbia. Um governo “moderadamente islamita” no oeste, em Tripoli, e outro no leste, em Tobruk. Este é secular e reconhecido internacionalmente, mas é também apoiado por alguns grupos salafistas. Há dois parlamentos e cada governo tem o apoio de um sem número de milícias. Algures no meio, na longa costa líbia, mais propriamente em Sirte, está o Estado Islâmico, liderado por quadros provenientes da Síria e do Iraque. Continua a recrutar seguidores na região e procura campos de petróleo que financiem a sua expansão. O Ocidente está alarmado com estes desenvolvimentos e pretende intervir militarmente. Já estão no terreno forças especiais de vários países. Ambos os governos são avessos à intervenção externa. Não obstante, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, EUA e UE apoiam a ideia de um governo imposto pela ONU, à revelia de qualquer voto de confiança do parlamento de Tobruk. Este terceiro governo reclamou o poder e instou as instituições estatais líbias, incluindo o Banco Central e a Corporação Nacional do Petróleo, a demarcarem-se dos executivos de Tobruk e Tripoli, e o Conselho de Segurança apelou aos estados membros para que reconheçam o governo de Skhirat, liderado por Fayaz Sirraj, e que terminem os contactos com aqueles.

Esta solução de um governo no exílio é problemática, desde logo porque não foi sufragado eleitoralmente. Mas não só. Um executivo imposto, rotulado de unidade nacional, poderá ter por missão “apelar” à intervenção estrangeira e limitar-se a confirmar tudo o que actores estatais externos vierem a fazer. Será eventualmente considerado um governo fantoche pelos parlamentos de Tobruk e Tripoli e dificilmente será aceite pelas milícias e pelo povo. Haverá lições a extrair da história recente do Iraque, onde um governo imposto deu causa à insurgência que permitiu a criação e desenvolvimento da AQI, Al-Qaeda no Iraque, o ISIS de hoje, que poderá ser novamente beneficiado com o ingresso de mais líbios e estrangeiros nas suas fileiras.

MC

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UE-Turquia: refugiados e gás

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Pepe Escobar no Facebook:

“O Primeiro-Ministro do Luxemburgo Xavier Bettel admitiu oficialmente e confirmei com as minhas toupeiras dissidentes em Bruxelas.
A UE celebrou um pacto com Ancara que no longo prazo – nos seus sonhos mais loucos – conduzirá ao abandono progressivo do fornecimento de gás russo ao mercado da UE, optando pelo do Qatar. Para tal, a UE precisaria do gasoduto do Qatar através da Síria e NÃO do pipeline Irão-Iraque-Síria.  As implicações são conhecidas.”

Já se sabia que Erdogan não pretende abdicar do gasoduto do Qatar-Turquia e que a corrida para Raqqa entre a coligação de Assad e a liderada pelos EUA tem a ver com o controle do território por onde o gás passará.

Citando Elijah Magnier, tinha-se escrito aqui sobre o que Erdogan teria em vista:

“[Mas] também se questiona se Erdogan não andaria a pressionar o PM iraquiano, Abadi, com o pipeline do Qatar, com trajecto previsto pelo Iraque. No projecto inicial a conduta passaria pelos desertos da Síria, com o gás a ser vendido na Turquia em concorrência com o gás russo. Assad opôs-se e optou pelo gasoduto Irão-Iraque-Síria, conhecido como “pipeline islâmico”. Qatar e Irão exploram as enormes reservas de gás de South Pars, no Golfo Pérsico. O primeiro a implementar um projecto deste calibre terá significativas vantagens na extracção e na quota de mercado. A escolha de Assad foi uma das causas para que os qataris se tivessem empenhado a fundo na mudança do regime sírio. No plano B prevê-se que a conduta transite pelas terras acidentadas da Anatólia, de construção mais onerosa, mas ainda assim viável. Os norte-americanos apoiam. Na perspectiva dos governos europeus, tudo o que nos deixe dependentes de gás proveniente de regimes controlados pelos EUA é preferível a negociar-se com os russos.

Erdogan visitou o Qatar em 1 de Dezembro e assinou acordos estratégicos. As tropas avançaram para Mosul nos dias 4 e 5. Para alguns analistas, relacionar a movimentação dos turcos com o dossier do pipeline é mais do que uma inevitabilidade. O governo do Iraque, alinhado com o Irão, Síria e Rússia, pode não ceder a Erdogan, pois estão todos contra o gasoduto do Qatar. O Irão consideraria um acordo com a Turquia uma facada nas costas. Os xiitas do Iraque têm força suficiente para fazer cair o governo de Abadi caso este pretenda assinar um acordo desta magnitude com dois parceiros sunitas.

Aditamento: Confirmadas as pressões – ou a chantagem – de Erdogan sobre o governo do Iraque, o que estará relacionado com a presença da força turca em Mosul. Uma vez que o gasoduto Qatar-Turquia já não pode atravessar a Síria, Erdogan pretende que cruze o Iraque rumando para norte em direcção à fronteira turca, precavendo-se assim contra eventuais futuras sanções russas a serem decretadas na sequência do abate do SU-24. Em troca, compromete-se a não condicionar os cursos de água (insinuando o contrário, caso Bagdade não colabore) e a apoiar a luta anti-terrorista.”

“O Irão vai exportar gás natural para o Iraque através de um novo pipeline, a inaugurar pelo presidente Hassan Rouhani no fim da próxima semana. É o princípio do gasoduto Irão-Iraque-Síria que pretende fornecer gás à UE quando a guerra da Síria terminar.” (Escobar)

A guerra civil da Síria é um conflito armado sobre o fornecimento de energia, não pela democracia e direitos humanos. Existe uma conexão estreita entre petróleo, gás, Síria e Estado Islâmico (link).

Foreign Affairs publicou este mês um artigo sobre esta problemática.
MC
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Sarkozy: “Não” aos turcos na UE, os russos são mais europeus do que a Turquia

Em Russia Insider:

Numa entrevista à iTele TV Sarkozy rejeitou a perspectiva de a Turquia vir a aderir à União Europeia ou de fazer parte da Europa.

“A Turquia não tem lugar na Europa. Tenho aderido sempre a esta posição, é baseada no senso comum. Isto não significa que tenha algo contra os turcos. Precisamos deles. São nossos aliados na OTAN. Mas se começarmos a explicar – que a Turquia fica na Europa – terá de ser dito aos alunos das escolas europeias que as fronteiras europeias estão na Síria. Onde está o senso comum?
Não é apenas isso. Qual é a ideia por detrás da Europa? A Europa é uma união de países europeus. A questão é muito simples, mesmo num sentido geográfico, é a Turquia um país europeu? A Turquia tem apenas uma margem do Bósforo na Europa. Pode a Turquia ser encarada em termos culturais, históricos e económicos como um país europeu? Se dissermos que sim quereremos a morte da União Europeia.
(…)
Nessa perspectiva, se falarmos da adesão da Turquia, deixe-me dizer-lhe que de várias formas a Rússia é muito mais um país europeu do que a Turquia.”

http://russia-insider.com/en/sarkozy-says-no-turks-eu-russians-more-european-turkey-video/ri13490

MC

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Cegueira saudita

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O Ministro dos Negócios Estrangeiros Adel al-Jubeir na Liga Árabe, Cairo, 10 Março 2016. (AFP/Khaled Desouki)

Excerto de um artigo de Vijay Prashad.

A Rússia teve poucas “botas no terreno“. Fez a sua parte a partir do ar. As tropas sírias, iranianas, milícias libanesas e iraquianas constituíram a componente terrestre. De entre estas, as mais ferozes eram as milícias do Líbano —Hezbollah— e as forças especiais do Irão. Os sauditas quiseram puni-los pelo papel crucial que desempenharam na guerra, reforçando o exército de Bashar al-Assad. O elo mais fraco é o governo do Líbano, que tem uma base de apoio político-sectária tão frágil como as suas finanças. Os sauditas pensaram que se conseguissem colocar pressão sobre o Líbano acabariam enfraquecendo o Hezbollah.

Primeiro, o Reino da Arábia Saudita (RAS) cortou a ajuda de $ 4 biliões prometida às forças armadas libanesas. Esta verba era crucial para o Líbano, que tem um sério problema com a balança de pagamentos. Vivem neste país de 4 milhões de habitantes mais de 1 milhão de refugiados sírios e a ajuda financeira da comunidade internacional tem sido escassa. O Líbano não consegue suportar em simultâneo o fardo humanitário e manter guarnecidas as precárias fronteiras onde a afiliada da al-Qaeda (Jabhat al-Nusra) assentou arraiais e de onde lança ataques bombistas às áreas residenciais de Beirute. O corte dos sauditas é vingativo e perigoso. Deixa o Líbano à deriva.

Mas houve mais. O Bahrain e os Emirados Árabes Unidos começaram por deportar todo e qualquer libanês que mostrasse simpatia pelo Hezbollah. O receio instalou-se na diáspora libanesa do Golfo, cujas remessas são indispensáveis para as finanças de Beirute. Os estados do Golfo habituaram-se a expulsar periodicamente libaneses acusados de manter laços com o Hezbollah. Mas desta vez o contexto é significativamente diferente — segundo parece, os estados do Golfo decidiram reprimir directamente o Hezbollah a partir do RAS.

Os sauditas foram a uma reunião da Liga Árabe, no Cairo, exigir que esta considerasse o Hezbollah um movimento terrorista. Até 2011 a Liga Árabe fora uma organização largamente propensa a não adoptar posições contenciosas em relação aos seus membros. Em parte, significa que estava dividida entre estados árabes nacionalistas (Argélia, Egipto, Iraque, Síria, Líbia) e estados árabes do Golfo (Arábia Saudita, Qatar, EAU). No nevoeiro de 2011 o RAS e aliados colocaram Líbia e Síria à margem e após o golpe do General Sisi em 2013 subalternizaram o Egipto. Os lugares que estes estados ocupavam foram tomados por membros com menos autoridade e segurança, menos capazes de desafiar o RAS, que viu na Liga Árabe um instrumento manobrável.

Os sauditas ficaram desapontados quando insistiram em colocar o Hezbollah na lista terrorista. Eventualmente vão conseguir o seu propósito mas não sem que a Argélia, Iraque, Tunísia e Líbano manifestassem insatisfação quanto à manobra. O Hezbollah é um grande partido político do Líbano, essencial ao delicado balanço de poder. O governo do Iraque e o Hezbollah são parceiros na Síria. A Argélia e a Tunísia, descontentes com a progressão saudita no norte de África, não escondem o incómodo. A delegação do RAS chegou a abandonar a sessão mas regressou quando percebeu que levaria a sua avante.

Porque é que a Arábia Saudita anda agora em cima do Hezbollah? Sobretudo porque este tem estado envolvido na Síria nos últimos 5 anos. Incapaz de enfrentar os russos e confrontada com uma alteração das circunstâncias, elegeu o Hezbollah como alvo, na esperança de gerar o entusiasmo dos EUA (via Israel). Mas os EUA estão vinculados. Estão comprometidos com a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU que disciplina a gestão da fonteira israelo-libanesa, patrulhada por uma força de manutenção de paz em coordenação com o Hezbollah, no terreno deste. A ONU não pode declarar o Hezbollah uma organização terrorista caso pretenda manter a operação da resolução 1701. O que confere aos norte-americanos — que já consideram o Hezbollah um grupo terrorista (sob pressão de Israel) — uma pausa na escalada da situação. A birra da Arábia Saudita não pode ser levada a sério por Washington. Nada de bom daí adviria.

MC
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