Magnier: 3 cenários possíveis na Síria, segundo Damasco

raqqarace

“A corrida para Raqqa” – via The ‘Nimr’ Tiger (no Twitter)

Mais um post de Elijah Magnier, traduzido e editado.

Um oficial de elevada patente do comando de operações conjuntas de Damasco, que inclui a Rússia, Irão, Síria e Hezbollah disse que “há três cenários possíveis na Síria: O primeiro é a tropas terrestres árabes entrarem na Síria a partir da fronteira turca, na área sob controle do “Estado islâmico” (ISIS), na longa frente fronteiriça entre Jarabulus a Al-Ra’ee. Isso pode ser possível e rapidamente alcançável se uma espécie de acordo for celebrado entre a Turquia e o ISIS. Afinal de contas, o grupo jihadista terá de enfrentar ou as forças turco-árabes – que eventualmente lhe podem facultar uma saída – ou as forças russo-iranianas-Hezbollah, que não lhe facultarão qualquer saída.”

“O segundo cenário é através das fronteiras da Jordânia, do leste da Síria até Raqqa. A via é mais longa, mas permitiria à Arábia Saudita trazer o apoio logístico e blindados para pressionar ao longo do itinerário até ao território que o ISIS controla. Em ambos os cenários, essas tropas, árabes ou turcos-árabes, não iriam confrontar ou estabelecer contacto – ou até mesmo imiscuir-se na fase operacional – com a coligação Rússia-Damasco+aliados. O terceiro cenário consistirá em a Arábia Saudita moralizar os jihadistas, anunciando uma possível intervenção, para que estes não se rendam facilmente e segurem o terreno o máximo tempo possível.”

“Qualquer cenário está ligado à vontade dos EUA em se envolverem numa guerra na Síria, o que é exactamente o que as autoridades sauditas disseram. Os EUA estão a enviar os AWACS (aeronaves de vigilância e controle do campo de batalha/Airborne Warning and Control System) porque qualquer intervenção directa dos norte-americanos no terreno está totalmente excluída. Esta poderia ser a contribuição dos Estados Unidos, a somar ao esforço diplomático de Genebra. Não obstante, estamos a planear a nossa reacção militar com base na forte possibilidade de as tropas terrestres árabes virem a invadir a Síria. Estas forças, sob pretexto de pretenderem derrotar o ISIS, não alcançarão Raqqa de um dia para o outro. O apoio logístico e o movimento de tropas da Jordânia para a Síria requer entre 3 a 4 meses. Neste caso, espera-se que estas forças avançem da Jordânia para al-Badiyah e, como possível cenário, que continuem para norte em direcção a Raqqa. Qualquer potencial contacto com as forças sírias poderá conduzir a uma guerra mais ampla.”

“Não excluímos o facto de as forças especiais sauditas poderem actuar por trás das linhas do ISIS para orientar ataques aéreos ou executar ataques de pequena escala. No entanto, essas forças não poderão contribuir para derrotar o ISIS, mas podem ser direccionadas para metas específicas. Qualquer ataque que enfraqueça o ISIS é um ponto a nosso favor. A coligação dos Estados Unidos pode bombardear o ISIS a qualquer momento, mas as tropas terrestres não são desejadas. Além disso, não é permitida a entrada de nenhum jacto no espaço sírio sem coordenação prévia com a Rússia, caso contrário será tratado como um alvo potencial. Este é também um outro factor a considerar. Portanto, ninguém está disposto a assistir a uma guerra em grande escala, principalmente o presidente Obama que evitou ser enredado na guerra síria nos últimos dois anos.”

O primeiro-ministro russo Dimitry Medvedev disse que “todas as partes devem sentar-se à mesa das negociações em vez de causar um surto de um novo conflito mundial”. A advertência da Rússia veio após a confirmação de um porta-voz do ministro saudita da Defesa, Ahmad Asiri: “o reino Saudita anunciou a criação da nova aliança islamita para combater o terrorismo e está pronto para executar operações aéreas e terrestres no quadro da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.”

“O objectivo das forças árabes é dividir a Síria em duas partes: «Gharbistão» (oeste) e «Sharqistão» (leste), semelhante ao que aconteceu em Berlim após a Segunda Guerra Mundial. Na primeira parte, o exército sírio vai continuar a combater contra a Al-Qaeda e seus aliados com o apoio da Rússia. Ao passo que na segunda parte, os árabes estabeleceriam as suas forças para impor uma mudança política e poderiam desestabilizar o regime. Enquanto isso, as forças do regime estão a 60 kms de Raqqa e a Turquia está a 180 km da principal cidade do ISIS. Portanto, se a ideia de derrotar ISIS é genuína, a coligação dos EUA não precisa intervir e percorrer toda essa distância da Turquia ou da Jordânia até Raqqa. Não obstante, foi dado o tiro de partida na corrida para Raqqa, com ou sem a possibilidade de uma intervenção turco-árabe.”

Segundo a fonte nos próximos 3 meses as portas do inferno estarão abertas na Síria para a Al-Qaeda e seus aliados e também para o ISIS. Tal como acordado em Genebra entre Rússia e Estados Unidos, qualquer cessar-fogo deixará de fora os jihadistas e seus aliados. Se os grupos da oposição síria não se desligarem da al-Qaeda, serão considerados alvos legítimos porque a união terá essa consequência.”

(…) Ainda de acordo com a fonte, a intelligence confirmou que “a Arábia Saudita pediu tanto à oposição síria associada à al-Qaeda como à que não está associada que não renunciem a nenhuma proposta das conversações de Genebra e que não entreguem nenhuma localidade da Síria sem combater. O tempo é crucial e a Arábia Saudita continuará a apoiar militarmente a oposição, esperando que um novo presidente norte-americano seja eleito. (…)”

MC

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