Magnier: o ISIS ajuda a conter a influência de Teerão e Israel prefere o ISIS ao Hezbollah

Um texto de Elijah J. Magnier também disponível em Fort Russ.

Acabar com o ISIS não é uma prioridade para as potências ocidentais, por motivos relacionados com os interesses económicos e militares no Médio Oriente.

Quando as tribos de Anbar e Ninoy invadiram a cidade de Mosul em Junho de 2014, seguidas pelo ISIS, este reivindicou para si a vitória e ensombrou a influência das tribos. O Iraque era governado pelo primeiro-ministro Nuri Al-Maliki, que expulsou os norte-americanos do Iraque e abriu as portas à cooperação com o Irão, ao ponto de quase todos os acordos entre o primeiro-ministro, gabinete do governo, partidos políticos maiores ou menores e blocos, fossem eles sunitas, xiitas ou curdos, serem esboçados e intermediados em Teerão e Beirute.

Washington permaneceu no Iraque, porquanto a oposição armada contra Bagdade cresceu, especialmente a do ISIS. Os EUA queriam que o ISIS semeasse a destruição na Síria e no Iraque; estas alegações foram confirmadas pelo tenente-general reformado Michael Flynn, ex-chefe da Agência de Informações de Defesa (DIA), num relatório que apresentou ao governo dos Estados Unidos em 2012.

Não há dúvida de que o aumento da influência do Irão na região prejudica os interesses dos EUA e os de outros actores regionais. Os EUA mexeram-se para conter o ISIS, mas não para o destruir, quando este se dirigiu para a rica cidade petrolífera de Kirkuk, e para a capital curda de Erbil, onde os interesses regionais e internacionais estão presentes, sob a forma de cooperação militar e contratos de extração de petróleo, com o ISIS também a ser usado pela CIA como rampa de lançamento para as operações na região.

A partir daqui podemos concluir que a destruição do ISIS prejudicaria os interesses dos EUA porque deixaria de haver razão militar para lá permanecerem, e, portanto, Teerão recuperaria o controle do Iraque. O primeiro-ministro Haider Al-Abadi está convencido de que os norte-americanos podem fornecer assistência aérea e tecnológica à comunidade de intelligence iraquiana, permitindo assim que as forças de segurança ataquem o ISIS onde lhe dói. O Irão tem conseguido utilizar o apelo de Seyyed Ali Al-Sistani [o Grande Aiatola xiita do Iraque] para formar Forças de Mobilização Popular, uma alternativa às forças de segurança actuais, que permitem a Teerão recuperar a presença no país e garantem a influencia do Irão caso Haider Al-Abadi pretenda desafiar futuramente os aiatolas.

Enquanto o ISIS estiver por perto os EUA manter-se-ão presentes na região. O perigo real vem da violação da soberania do Iraque pela Turquia e dos pronunciamentos curdos pela secessão e revogação do tratado de Sykes-Picot.

A entrada do ISIS na Síria – sob o estandarte da Jabhat Al-Nusra em 2011, com o mundo inteiro a assistir – foi bem vinda, para derrubar o regime do presidente Bashar al-Assad. A influência da Al-Nusra cresceu progressivamente e a organização encaixou-se na sociedade síria, tornando-se parte dela até que al-Baghdadi anunciou a fusão ISIS-Nusra, momento a partir do qual deparámos com dissidência e luta intestina entre os jihadistas. Ao mesmo tempo o Hezbollah foi para a Síria a todo o gás em 2013 e apesar de o Irão decidir prestar ajuda financeira e económica às instituições militares e civis sírias, tal não irritou o Ocidente, não obstante considerarem preferível que Assad ficasse fora da equação.

“Se tivesse de escolher entre o ISIS e o Irão, escolheria o ISIS”, disse Moshe Ya’alon, ministro da Defesa de Israel. O ISIS não preocupa Israel por várias razões, sendo a principal a sua fraca experiência militar, nada comparável à do Hezbollah, que tem vindo a fazer-se desde 1982. Os mísseis de precisão deste movimento preocupam Israel mais do que os engenhos explosivos improvisados do ISIS, e desta forma a organização terrorista pode actuar como zona tampão de Israel – nos montes Golan ou Quneitra- contra a expansão do Hezbollah ou a resistência islâmica na Síria.

Israel diz que “pode aniquilar o ISIS em poucas horas ou dias”, mas prefere protelar porque o ISIS não se agrega a qualquer eixo de poder e não tem futuro político. Assim sendo, é necessário que o ISIS continue a lutar contra o eixo de resistência e iniba o avanço de grupos como o Hezbollah.

Traduzido por MC

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