Assad soma e segue

6a00d8341c72e153ef01b8d19ac65b970c-800wi

Mapa do site “South Front”

A terra treme no sector de Aleppo, segunda cidade da Síria, e no noroeste do país. As forças da coligação que apoia o regime de Bashar al-Assad somam mais sucessos enquanto os “rebeldes” patrocinados pela Arábia Saudita, Qatar, Turquia, EUA e alguns países do Ocidente brincam ao cessar-fogo nas conversações de Geneva (III). O Alto Comité das Negociações (High Negotiations Committee/HNC), em representação da oposição síria, continua a ignorar a dura realidade que emerge no teatro de operações e insiste em soluções e compromissos políticos que nenhuma parte em vantagem, em perfeito juízo, ponderaria sequer analisar. A regra é “the winner takes it all”.

O guião das “negociações” está a ser escrito pelo Exército Árabe Sírio (EAS) e pelas Forças de Defesa Nacional sírias (milícias)/FDN (National Defense Forces/NDF), com ataques bem sucedidos aos eixos de reabastecimento dos rebeldes, apoiados pela aviação russa e síria. Após quatro anos lograram romper o cerco em Nubl e Zahraa. Isto significa que foi cortada a via que liga os insurgentes do sector de Alepo à Turquia. Ontem, não obstante a eficácia dos fogos sobre este eixo, a Jabhat al-Nusra ainda mantinha a aldeia de Madrasat al-Khan. Estas forças foram destruídas hoje, com um ataque em duas frentes do EAS a leste e do Hezbollah a oeste. Durante os combates foram abatidos, pelo menos, quatro comandantes da Nusra e de outros grupos jihadistas. O EAS continua na ofensiva para alargar o novo corredor criado. Já só sobra uma linha de reabastecimento utilizada pelos insurgentes de Idlib e de Aleppo para acesso à Turquia e vice-versa, a M45, atravessando Bab al-Hawa e terminando na cidade turca de Reyhanli (ver aqui), aproximadamente 40 quilómetros de estrada que a aviação russa não deixará de patrulhar e atacar. Tendo em conta que a Rússia deixou claro que a guerra não terminará enquanto a coligação não selar a fronteira Turco-Síria, é de prever que as conversações não avancem nem se celebre um cessar-fogo alargado enquanto este objectivo não for alcançado.

O ponto chave para que o cessar-fogo funcione consiste em bloquear o tráfico ilegal através da fronteira Turco-Síria, que apoia os militantes“, disse o MNE da Rússia, Sergey Lavrov. “Sem a fronteira fechada é difícil esperar que o cessar-fogo seja implementado.”

Clarificando melhor a posição russa sobre a guerra na Síria e o objectivo militar e político que procuram alcançar:

A Rússia continuará os ataques aéreos na Síria até que grupos armados como a filial da al-Qaeda sejam derrotados“, disse ontem Sergei Lavrov. Na Terça-feira John Kerry tinha dito que a Rússia deveria parar com os ataques às forças da oposição na Síria agora que as conversações sobre os auspícios da ONU se tinham iniciado. “Os ataques russos não terminarão enquanto não derrotarmos organizações terroristas como a Jabhat al-Nusra. E não vejo porque é que esses ataques devem ser suspensos“, acrescentou Lavrov numa conferência de imprensa em Muscat, capital de Omã. “No que concerne ao cessar-fogo, temos ideias pragmáticas e conversámos com os Americanos que dirigem o grupo de apoio para a Síria e temos vontade de discutir estas ideias na reunião de 11 de Fevereiro“, referindo-se ao Grupo de Apoio Internacional para a Síria que vai reunir em Munique.

O EAS e as FDN sírias também fizeram hoje progressos em Latakia. A leste de Aleppo, o exercito tomou a vila de As Sin e quase cercou um contingente do ISIS na área da central eléctrica de Aleppo. Na província de Homs, a área de Rastan, na posse dos rebeldes, vai em breve ser partida em duas. No sul foram lançados mais ataques para alargar o corredor de reabastecimento a Daara. Vitória puxa vitória e o moral é elevado entre as tropas da coligação. As frentes rebeldes e jihadistas começam a ceder, processo que é acelerado pela dificuldade em as reabastecer. Quando estiverem praticamente destruídas, é provável que o EAS e as FDN se concentrem então no ISIS no leste da Síria, tanto em Raqqa como em Deir Ezzor. Antecipando esta possibilidade, os curdos do YPG (braço armado do PYD, partido curdo da Síria), com o apoio da força aérea russa, planeiam conquistar ao Estado Islâmico o remanescente do território na fronteira norte.

Além-mar, nos Estados Unidos, a administração Obama escolheu mais um momento crítico para lançar novas acusações contra a Rússia. No mesmo dia em que as conversações de Geneva eram para ser iniciadas, procurando um cessar-fogo e acabar com cinco anos de guerra na Síria, um destacado funcionário da administração atacou publicamente Putin. Em 25 de Janeiro, a BBC Panorama exibiu um documentário onde o presidente russo era acusado de ter roubado biliões da Rússia e de gerir uma máfia pessoal. A “estrela” da transmissão era Adam Szubin, alto funcionário do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, responsável pela aplicação das sanções norte-americanas, incluindo as contra a Rússia. Szubin esmiuçou reivindicações duvidosas sobre Putin, e, para piorar a situação, dois dias após a transmissão, Josh Earnest, porta-voz de Obama, disse a jornalistas que Szubin tinha veiculado a perspectiva da administração sobre Putin e a Rússia, o que fez tocar campainhas em Moscovo. Lavrov confrontou o secretário de Estado Kerry exigindo saber porque é que os Estados Unidos da América estavam a sabotar os frágeis esforços das negociações de paz na Síria através de tamanha chicana diplomática.

MC

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Sem categoria com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s