Os leões de Deir Ezzor

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Deir Ezzor, leste da Síria, imagem de @PetoLucem

Para informação mais detalhada sobre as batalhas no enclave de Deir Ezzor poderemos recorrer à Al-Masdar News, um jornal pro-Assad do Líbano. O editor-chefe é Leith Abou Fadel, por vezes referido como um cão de fila de Assad, mas, ainda assim, os seus relatos são considerados informativos e factuais. Escreveu recentemente estes:

ISIS lança novo ataque ao aeroporto de Deir Ezzor (1 Jan 2016)

ISIS sofreu hoje mais de 70 baixas em Deir Ezzor: relatório (19 Jan 2016)

Actualização completa da batalha de Deir Ezzor (20 Jan 2016)

Actualização completa da batalha de Deir Ezzor (25 Jan 2016)

ISIS lança assalto em massa em Deir Ezzor (26 Jan 2016)

ISIS retira depois de sofrer baixas pesadas em Deir Ezzor (28 Jan 2016)

Deir Ezzor é a maior cidade na Síria oriental, junto ao Eufrates, no coração do território controlado pelo ISIS, muito longe de Damasco e até de Palmyra. É campo de batalha desde Novembro de 2012 e está cercada pelo ISIS desde meados de 2014. Devido às recorrentes ofensivas dos corta-cabeças e aos contra-ataques do Exército Sírio Árabe (ESA) as suas linhas de defesa raramente têm permanecido estáticas. Desesperado por inverter o curso da guerra e porque se alimenta de propaganda, o Estado Islâmico concentrou cerca de 2.000 combatentes em Deir Ezzor no início de Janeiro com o objectivo de tomar a cidade. Teve pequenos sucessos, logrando conquistar bairros e instalações, mas com o apoio da aviação russa o ESA estará em vias de recuperar o território perdido. Cada vez que o ISIS avança os massacres sucedem-se, tendo-se falado em cerca de 400 vítimas civis. Os media do Ocidente afloraram o assunto, mas com pouca profundidade e interesse. A percepção com que se fica dos acontecimentos depende muito da fonte utilizada, como aqui se refere em tom crítico.

Pode ser que Deir Ezzor não venha a cair para o califado, a confirmar-se a tendência do remanescente das operações, as quais, com a ajuda da aviação russa e síria, permitiram reverter a posse de várias cidades e vilas. O aeroporto militar continua aberto e tem sido utilizado para reabastecimento à população e forças anti-islâmicas, qual espinho cravado no coração do ISIS até que o ESA consiga romper o cerco.

Fica um video das batalhas. O Major-general Zahreddine aparece repetidamente nas filmagens e as imagens finais mostram combates de proximidade com utilização de granadas de mão. As forças pertencem à 104ª Brigada Aerotransportada da Guarda Republicana e à 137ª Brigada de Artilharia da 17ª Divisão (reserva) das Forças de Defesa Nacional da Síria e à tribo Shaytat. Issam Zahreddine, o comandante local, é um druzo de Tarba alcunhado Leão da Guarda Republicana. Foi destacado para Deir Azzor em Novembro de 2013 e apenas se ausentou do sector no passado Agosto para liderar a defesa de Hasakah . Comanda a partir da linha da frente. O filho também serve na 104ª.

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Issam Zahreddine, fonte Wikipedia

Nota de contexto: Já aqui se escreveu “que o regime sírio não alinha com o Irão por afinidade religiosa, apesar de a religião alauita ser uma ramificação do xiismo. Assad voltou-se para os persas devido à proximidade de Israel e à política pro-saudita do Ocidente. A consequência é a materialização de um “eixo de resistência” no coração do Médio Oriente, constituído pela Síria secular, Irão, milícias xiitas que controlam parte do Iraque, Hezbollah e agora a Rússia. Os estados árabes do Golfo, a Turquia, Israel e a coligação anti-Assad liderada pelos EUA tudo fizeram para fragmentar este eixo de resistência e romper a correspondente contiguidade territorial.” Nesta tessitura e atendendo aos paradigmas em confronto – via secular (secularismo turco de Ataturk com rejeição integral da xária, que Erdogan poderá querer inverter), via islâmica (islamismo feudal árabe com predomínio do wahhabismo da Arábia Saudita e das teses da Irmandade Muçulmana; islamismo político social radical da revolução de Khomeini) e a dita via socialista (socialismo árabe do Egipto; pan-arabismo da Síria; nacionalismo agressivo do Iraque) – importa tentar saber como correm as operações nos territórios ainda não controlados (pelos xiitas do Iraque, pelos curdos do Iraque, pelos curdos da Síria e pela coligação de Assad, que é apoiada pela Rússia, Irão, Hezbollah, milícias xiitas e hazaras). Se lho permitirem, a Síria alauita escolherá o secularismo, que é incompatível com o califado do ISIS e com a via islâmica preconizada pela esmagadora maioria da oposição síria. Mas para que tal aconteça Assad tem de ganhar a guerra.

MC

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