Paradigmas em competição no Médio Oriente

Enquanto esperamos pelo resultado das visitas de John Kerry a Riade e de Joe Biden a Ancara, sabe-se que Stefan De Mistura terá afirmado nas Nações Unidas que os sauditas estão a tentar sabotar as conversações de Viena/Geneva para o cessar-fogo alargado na Síria, mas que Kerry e Lavrov continuam empenhados em continuar com o processo, embora sem deadlines ou expectativas. Fala-se em duas delegações de rebeldes, uma organizada pelos sauditas e composta pelos salafitas que apoiam, e outra que incluí os curdos, o que vai ao encontro das posições de Moscovo e Damasco. O processo está embrulhado. O governo da Turquia nem quer ouvir falar dos curdos do PYD, que são provavelmente o mais feroz inimigo do Estado Islâmico na Síria.

Há um mês as exigencias da oposição síria eram estas: link

Mas recentemente surgiu outra, destinada a paralizar o processo negocial do cessar-fogo num momento em que a guerra está a correr de feição a Assad.

Os muçulmanos precisam de um Islão reformado e enquanto a situação do Médio Oriente não for resolvida os movimentos extremistas vão ocupar o espaço do debate. Não obstante, será a mudança de paradigma da Idade Média muçulmana para a modernidade tão vigorosamente iniciada na Turquia pre-Erdogan, no Egipto e na Índia capaz de se consolidar? O panorama actual é determinado pela acção de forças e de contraforças, pelo que o presente se afigura ainda dominado pelos paradigmas do passado. (Hans Küng, teólogo)

Quais os paradigmas que competem entre si? A via secular (secularismo turco de Ataturk com rejeição integral da xária, que Erdogan poderá querer progressivamente inverter), a via islâmica (islamismo feudal árabe com predomínio do wahhabismo da Arábia Saudita e das teses da Irmandade Muçulmana; islamismo político social radical da revolução de Khomeini) e a dita via socialista (socialismo árabe do Egipto; pan-arabismo da Síria; nacionalismo agressivo do Iraque).

Será que os xiitas do Iraque quererão uma república islâmica como a do Irão? Os curdos escolherão o secularismo, se os deixarem, bem como a Síria alauíta. E o que acontecerá nos territórios sunitas não controlados por Bagdade e Damasco?

MC

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Sem categoria com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s