Conversações de Genebra para a paz síria: rebeldes “moderados” querem ganhar na secretaria

Quando a Rússia iniciou as operações militares na Síria o presidente Obama vaticinou que a campanha terminaria num pântano. Os media ocidentais e os propagandistas adoptaram de imediato a narrativa, mas o que veio à superfície foi algo bem diferente: um plano de operações bem estruturado.

No ano passado, Obama, Erdogan e monarquias do Golfo tinham a expectativa de que o regime de Bashar al-Assad fosse derrotado militarmente em escassos meses, de forma a ir para o processo de paz em Genebra (25 de Janeiro) disposto a capitular e a aceitar as condições impostas. Mas há nova narrativa, procurando que as conversações de paz não sejam retomadas já, porque o governo sírio está a ganhar a guerra.

Excerto do artigo do Washington Post:

«(…) after 3½ months of relentless airstrikes that have mostly targeted the Western-backed opposition to Assad’s rule, they have proved sufficient to push beyond doubt any likelihood that Assad will be removed from power by the nearly five-year-old revolt against his rule. The gains on the ground are also calling into question whether there can be meaningful negotiations to end a conflict Assad and his allies now seem convinced they can win.
“The situation on the ground in Syria is definitely not conducive to negotiations right now,” said Lina Khatib of the Paris-based Arab Reform Initiative think tank.» (sublinhado meu)

A Iniciativa para a Reforma Árabe é uma criação do Middle East Project, Inc. norte-americano e de outras ditaduras da região. Foi fundado por Henry Siegman, antigo director nacional do American Jewish Congress e tem como assessores Brent Scowcroft e Zbigniew Brzezinski.  A perspectiva deste grupo é a de que o regime sírio tem de ser mudado e não lhe pode ser permitido vencer a guerra. E por esta razão as negociações para a paz terão de ficar congeladas até que o governo de Assad esteja prestes a cair.

Assim sendo, os rebeldes islâmicos da oposição a Assad controlados pelos EUA, Arábia Saudita e Turquia, que pretendem excluir os curdos e outros opositores seculares ou não belicistas de qualquer negociação relativa ao futuro do país, avançam com condições adicionais que dificilmente serão aceites, como a de que os raids da aviação russa têm de ser cancelados antes de se avançar para as reuniões de Genebra. Por outras palavras, exigem um cessar-fogo unilateral antes que um acordo de cessar-fogo completo possa ser implementado. Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte.

Para os lados de Washington, mais do que estratégias, continuam os devaneios: mudança de regime, necessidade de instalar um governo provisório que inclua salafitas, zonas de exclusão aéreas, hostilidade absoluta em relação ao Irão e apoio à Turquia neo-otomana. Tudo exigências constantes da agenda do Likud em Israel.

Que objectivo visam os apoiantes dos rebeldes sírios? Ganhar o jogo na secretaria e não no relvado! Querem garantir na mesa de negociações o que rebeldes “moderados” que apoiam não conseguiram obter na guerra que estão a travar para derrubar o regime. Vai funcionar? Há que aguardar para ver, porque normalmente acontece precisamente o oposto: ganha-se primeiro no campo de batalha para depois se obter vantagens na mesa das negociações.

Há um mês as exigências dos rebeldes eram estas: link

MC

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