Neoconservadores: Travar o novo Império Persa

 

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Nos Estados Unidos da América o lobbying – acto ou conjunto de actos destinados a influenciar as decisões dos membros de um governo, legisladores ou agências reguladoras – é um elemento vital tanto da política doméstica como da política internacional. Que o digam a AIPAC (pro-Israel), o grande Estado Industrial e indústrias de Defesa (armamento), os anti-Kyoto ou os homens do petróleo. Apesar de nos Estados Unidos consistir numa actividade legal e regulada, não é incomum o conluio de lobbyistas e políticos para sabotar a política definida pelo presidente e a sua acção, por vezes até com contornos próximos da quebra de protocolo diplomático, como aconteceu quando vários senadores do partido republicano enviaram uma carta ao líder supremo do Irão a discordar da posição de Obama no acordo nuclear. Estimou-se que o imediato levantamento de sanções ao Irão implicasse o descongelamento de activos no valor de 100 billiões de dólares e uma subida das exportações da ordem de 500 000 barris de crude por dia. Como esta perspectiva não agrada a todos, em menos de 24 horas após implementação do acordo, Washington apressou-se a violar o espírito do mesmo e a dar razão aos fundamentalistas de Teerão que a ele se opunham.

The US Treasury says it is imposing new ballistic missile sanctions on Iran after Tehran released five American prisoners. The move also comes less than a day after some of the sanctions imposed on Iran over its nuclear program were removed by the US and EU.
Washington has imposed sanctions on 11 companies and individuals for helping to supply Iran’s ballistic missile program, the Treasury Department stated.
“Iran’s ballistic missile program poses a significant threat to regional and global security, and it will continue to be subject to international sanctions,” Adam J. Szubin, acting Under Secretary for Terrorism and Financial Intelligence, said in a press release.
The US move comes after an Iranian missile test carried out in October that broke a UN Security Council resolution restricting the development of missiles that are capable of carrying nuclear warheads.

Fica a pergunta: se o acordo nuclear já estabelece que o Irão não pode desenvolver nem ter na sua posse ogivas nucleares, fará sentido decretar sanções a Teerão por levar a cabo um programa de mísseis balísticos?!

Porque é que a política norte-americana para o Médio Oriente  é aparentemente anti-xiita? Será apenas porque Israel e as monarquias do Golfo temem que o fim do isolamento internacional do Irão altere o equilíbrio geopolítico no Médio Oriente?

O ex-embaixador Chas Freeman afirmou numa entrevista telefónica que “(…) a paz na região requer algum grau de aproximação entre Arábia Saudita e Irão. E os Estados Unidos precisam de ter algum tipo de relacionamento com o Irão caso pretendam desempenhar um papel eficaz numa região onde o Irão é um grande actor, como no Iraque, na Síria, no Líbano, no Bahrein, e agora no Iémen.” Foram porventura razões desta natureza que levaram Obama a descongelar as relações com Cuba. Julgará também que os EUA, como maior potência global, terão de ter “algum tipo de relacionamento com o Irão”, tendo para isso de enfrentar o poderoso lobby pro-Israel e o menos poderoso lobby árabe.

Os intelectuais neoconservadores, nos anos de afastamento do poder antes da eleição de 2000, tinham proposto uma ordem de trabalhos para a política externa que envolvia os conceitos de alteração de regime, hegemonia benevolente, unipolaridade, prevenção e excepcionalidade americana que se vieram a tornar as imagens de marca da política externa da administração de Bush. Isto no geral, porque há 14 anos e no que concerne aos sauditas, Richard Perle chegou a apelar que Riade fosse incluída nas lista das cidades a atacar por Washington no pós-11 de Setembro. Agora, neoconservadores e Reino da Arábia Saudita voltaram a ser amigos chegados, apesar de esta continuar a ser a monarquia absoluta que lidera a contra-revolução oposta às primaveras árabes, que clamam por mais democracia e direitos humanos.

Visitamos o blog de Jim Lobe e lemos mais: “Que o grande campeão dos direitos humanos e da democracia, Elliott Abrams, e o conselho editorial mais fundamentalista e persuasivo da imprensa escrita, o do Wall Street Journal, foram os mais rápidos, respectivamente, a atacar o Irão e a defender os pobres e abandonados sauditas. E que a Foreign Policy Initiative (FPI) de Bill Kristol deixou entretanto claro que a Arábia Saudita deve ser favorecida e, não obstante a provocação ao Irão, este deve sempre ser considerado o Inimigo Público n.º 1. A tentativa da Administração em aparecer mais ou menos imparcial durante a escalada da crise saudita-iraniana – ou mesmo ligeiramente crítica de Riade – foi considerada outro exemplo deplorável de fraqueza e apaziguamento.”

Segundo Lobe, a crítica mais clara à política da administração veio do belicista Max Boot em “An American Ally of Necessity“:

Na selva sem lei que é o sistema internacional, as nações raramente têm o luxo de poder escolher o bem sobre o mal. Normalmente, trata-se de escolher o menos mau em vez do mal maior. Assim foi na II Guerra Mundial, quando nos aliámos a Estaline para travar Hitler, e assim também é hoje no caso da Arábia Saudita versus Irão. Ambos estão numa competição pelo poder e influência no Médio Oriente. Ambos são países violadores dos direitos humanos, mas que fique claro que na perspectiva americana o Irão é de longe pior: não apenas moralmente mas também estrategicamente. A política Americana deve ser clara: Devemos estar ao lado dos Sauditas – e dos Egípcios, e dos Jordanos, e dos Emiratos, e dos Turcos, e de Israel (sic), e de todos os nossos aliados – para travar o novo Império Persa. Mas a administração Obama, moral e estrategicamente confusa, está em vez disso a mimar o Irão na vã esperança de converter Teerão de inimigo em amigo.”

MC

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