Jordânia mais próxima da Rússia

Segundo a agência pro-Israel DEBKAfile, Jordânia e Rússia decidiram criar um comando conjunto para a partilha de informações e planeamento de operações militares na Síria, o que representa uma inversão na política de Amã (“war room” é a expressão utilizada, o que pode não ser tecnicamente um comando conjunto ou um estado-maior conjunto, mas uma célula ou organismo de partilha de informações e coordenação de algumas operações). Até aqui a Jordânia alinhava contra o protegido de Putin, Bashar al-Assad, participando num outro comando conjunto situado a norte de Amã, o “US Central Command Forward-Jordan”, do qual fazem parte Israel e a Arábia Saudita.

Refere a DEBKA que Amã procura minimizar o impacto desta nova parceria – apresentando-a com o objectivo de melhorar a cooperação militar entre norte-americanos e russos na Síria e na guerra contra o Estado Islâmico – mas que esta imagem é enganadora, porque não cabe aos serviços de informações e forças armadas da Jordânia actuar como coordenador entre os dois poderes mundiais e que, de acordo com as suas fontes em Moscovo e Washington, o assunto terá sido abordado pelos dois presidentes ao telefone no passado dia 13 e entre Obama e Abdullah na passagem deste pela Base Aérea de Andrews.

Não são boas notícias para os vários grupos rebeldes do sul da Síria, incluindo os que operam próximo da fronteira com Israel. Até agora eram reforçados, armados e financiados pelos EUA, Arábia Saudita e Emirados e os norte-americanos treinavam rebeldes em campos situados na Jordânia. Os interessados no status quo temem uma inversão da situação ou que, pelo menos, as acções anti-Assad sejam reduzidas a um mínimo. Segundo a DEBKA, desde a sua intervenção na região Putin tem tentado persuadir Netanyahu a deixar de apoiar os rebeldes do sul da Síria, que Israel considera constituírem uma força-tampão protectora do norte do país e impeditiva do controle de Assad nesta região.

O al-Monitor explica esta situação de forma um pouco mais inteligível numa coluna que começa assim:

Despite the harsh divide among Republican presidential candidates on foreign policy, the importance of Jordan has been a unifying theme. Donald Trump praised King Abdullah on Twitter and Ohio Gov. John Kasich wished in a presidential debate that Jordan’s king “would reign for a thousand years.” In stark contrast to the Republicans, President Barack Obama downplayed or did not mention Amman’s most critical national priorities — the Islamic State [IS], Palestine and the war in Syria — during his Jan. 12 State of the Union address.

Que mais diz o articulista para além de realçar que os republicanos Trump e Kasich sobrevalorizam o papel de Abdullah enquanto Obama o sub-valoriza?

«Abdullah tem declarado em vários fóruns que a batalha contra o Estado Islâmico “é a terceira guerra mundial à qual se deve responder com semelhante intensidade”. Ao minimizar a campanha contra o Estado Islâmico (E.I.) Obama deixa patente uma divergência fundamental com o monarca, que tem levado Amã a questionar a determinação e a vontade do presidente em o “degradar e destruir”.

Para além do combate ao E.I. o discurso do Estado da União de dia 12 evidencia um desacerto relativamente ao processo de paz da Palestina. Obama não o mencionou uma única vez, nem Israel, no elenco de objectivos para 2016. Os líderes jordanos têm uma abordagem diferente. Referem a cada passo no estrangeiro a necessidade da criação de um estado palestiniano. O presidente do Parlamento, Atif Tarawneh, disse em Outubro que a Jordânia colocava a questão no topo das prioridades.

Desde que os esforços do secretário de Estado John Kerry para pôr fim ao conflito palestiniano soçobraram em 2014, os Estados Unidos não os retomaram. Rob Malley, coordenador da Casa Branca para o Médio Oriente, disse a jornalistas, em Novembro, que não “não está na agenda” de Obama para o resto do mandato a procura de uma solução negociada para o conflito Israel-Palestina. O encontro entre Obama e o seu aliado de longa data na base de Andrews não terá durado muito mais de cinco minutos. As guerras do Médio Oriente, especialmente os últimos cinco anos, tiveram um impacto significativo na Jordânia, que absorveu para cima de 630.000 refugiados sírios, segundo as Nações Unidas (um diplomata estimou que os sírios representam aproximadamente 20% da população jordana). Abdullah tem repetidamente reclamado acção decisiva que ponha termo ao conflito. Contudo, no briefing sobre a crise que ceifou cerca de 250.000 vidas, Obama mostrou-se satisfeito com os resultados da política norte-americana, citando a Síria como exemplo de “aproximação mais inteligente“, de uma estratégia paciente e disciplinada que usa cada elemento do poder americano em parceria com forças locais.

Não admira portanto que nos últimos meses Abdullah se tenha reunido repetidamente com Vladimir Putin para analisar os desenvolvimentos no Médio Oriente. Os EUA fornecem à Jordânia ajuda financeira significativa, mas a mera assistência monetária deixou de ser suficiente para lidar com a crise que alastra na região. Com Putin a demonstrar na intervenção militar em apoio de Assad o que é acção decisiva, enquanto Obama-Abdullah marcam passo nos dossiers do Estado Islâmico, Palestina e Síria, o monarca poderá querer questionar se os EUA são o aliado que mais interessa à Jordânia em tempos tão incertos e difíceis.»

Sobre a Jordânia e o problema do antecedente com os refugiados: aqui

MC

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