Um presente no sapatinho de Assad

Este post vem no seguimento do anterior.

Ontem, a força aérea síria – já se disse que foram os russos mas para o caso é irrelevante – desferiu um golpe duro no Jaish al-Islam, matando o seu líder Zahran Alloush e outros comandantes, bem como vários quadros superiores do Ahrar al-Sham, Failaq al-Rahman e Jabhat al-Nusra, todos eles grupos de matriz salafita que querem derrubar Assad.

Alloush, como podemos verificar neste video, era um homem profundamente sectário que apelava à “limpeza” de todos os alauítas e xiitas da Síria, tendo colocado mulheres em jaulas nos mercados, usando-as como escudos humanos contra ataques do regime. Costumava enaltecer Bin Laden. Há dois anos, Joshua Landis, director do Center for Middle East Studies, forneceu-nos um perfil de Alloush.

O feudo de Alloush era o sector Goutha-Leste e Douma, na área de Damasco. Tinha muitos inimigos. Ao contrário de outros “moderados”, não combatia apenas o governo sírio. Quando desafiado pelo Estado Islâmico, Jabhat al-Nusra (al-Qaeda na Síria) ou por outro competidor local, combatia-os também, o que, na óptica dos propagandistas-patrocinadores do Golfo e da Turquia, fazia dele um opositor “moderado”. Mas as suas posições ideológicas e métodos brutais em pouco se distinguiam dos da al-Qaeda e do Estado Islâmico, como podemos ver aqui.

Este ataque contra a liderança do Jaysh al-Islam só foi possível com base em intelligence de excelência. E conforme referiu Kenneth Roth, da Human Rights Watch, é de crer que a liquidação de Alloush e demais comandantes faça parte da estratégia do governo para apresentar a seguinte alternativa aos sírios: ou Assad ou o ISIS.

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A operação vai provavelmente conduzir ao esboroar da resistência dos rebeldes em Damasco e arredores. Some-se-lhe  a evacuação de cerca de 2000 elementos do Estado Islâmico de Yarmouk para Raqqa, após acordo entre o governo e o ISIS, sob os auspícios da Nações Unidas. Segundo a Debka, o resultado não foi alardeado nos canais oficiais porque implicaria o reconhecimento do Estado Islâmico como parte beligerante na guerra da Síria, o que não convém.

À semelhança dos seus patrocinadores do Golfo, a coligação encabeçada por Alloush rejeita a ideia de um acordo político com uma autoridade estatal secular, com ou sem Assad. E, se assim for, a conferência da oposição síria de Riade, patrocinada pelos Sauditas, pode ficar aquém do desejado. Não obstante, alguns senadores norte-americanos continuam a apostar nela.

MC

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