Serviços secretos turcos no Estado Islâmico

Today Zaman é um diário turco com imensa circulação que pertence ao Movimento Gülen. Opõe-se ao presidente Erdogan e a algumas das suas políticas. Faz agora um ano que o Correio da Manhã noticiou que as autoridades turcas emitiram mandado de detenção contra Fetullah Gülen, um muçulmano muito influente. Veja-se o que saiu na edição de Sábado do Zaman:

Durante as reuniões entre autoridades turcas e Barzani em Ancara, Barzani referiu-se aos 150 militantes do ISIL (Estado Islâmico) de origem turca que tinham sido capturados pelos peshmerga curdos durante os confrontos com o ISIL. Segundo fontes, Barzani disse que alguns dos membros do ISIL capturados pelos peshmerga se identificaram como membros do MIT e solicitou que o chefe do MIT, Fidan, clarificasse a questão.
Barzani também procurou a assistência de Ancara para retirar os 500 nacionais turcos que ocupam posições de liderança no ISIL em Mosul.

O MIT é o serviço secreto turco. Não é certamente o único serviço secreto infiltrado no Estado Islâmico. Mas sendo a Turquia a rectaguarda e a principal rota de apoio logístico e de infiltração de jihadistas para a Síria, o MIT será provavelmente o serviço secreto com maior contingente no E.I.. Quantos espiões e operacionais terá a Turquia no E.I. e que influência exercem na hierarquia da organização terrorista?

As organizações curdas na Turquia acreditam que os dois ataques terroristas do Estado Islâmico a grandes comícios ou concentrações de curdos na Turquia, em Suruc e Ankara, tinham a intenção de influenciar a reeleição de Erdogan. Neste quadro, devemos interrogar-nos se os agentes do MIT infiltrados no Estado Islâmico tiveram algum tipo de intervenção no planeamento e na condução dos ataques.

Num artigo recente publicado no London Review of Books o jornalista de investigação Seymour Hersh também se refere à cooperação entre a Turquia e o Estado Islâmico:

[Em Janeiro de 2014] os serviços secretos americanos tinham acumulado informações de que o governo de Erdogan tinha apoiado a Jabhat al-Nusra durante anos, e que estava a fazer o mesmo com o Estado Islâmico. “Podemos lidar com os Sauditas”, disse um consultor. “Podemos lidar com a Irmandade Muçulmana. Pode argumentar que todo o equilíbrio no Médio Oriente é baseado numa espécie de garantia de destruição recíproca entre Israel e o resto do Médio Oriente, e a Turquia pode desfazer esse equilíbrio – o que é o sonho de Erdogan. Dissemos-lhe que queríamos fechar o pipeline de jihadistas estrangeiros que entravam na Turquia. Mas ele está a sonhar alto – em restaurar o Império Otomano – e não se apercebe de quanto sucesso poderia ter.”

MC

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