A Jordânia e os refugiados

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Campo de refugiados na Jordânia – fonte: www. reddit.com

Surpreendido com a extensão de um campo de refugiados fui ler um pouco sobre a Jordânia, Al-Ordonn para os árabes. Sabia que é uma monarquia constitucional em que reina Abdullah II, de criação relativamente recente, rodeada de vizinhos pouco amigáveis – Israel, Iraque, Siria e Arábia Saudita – e que tinha acolhido refugiados em escala susceptível de fazer perigar os seus equilíbrios internos.

Em “O Choque das Revoluções Árabes” de Mathieu Guidère encontrei um resumo de cinco páginas. Fica um pequeno excerto, seleccionando a parte que me interessou.

Após a II GG (1946), o emirado consegue a independência total e torna-se o “Reino Hachemita da Transjordânia”. Desejoso de restituir o prestígio aos hachemitas, Abdullah I lançou a Legião Árabe à conquista de Jerusalém aquando da guerra da Palestina de 1948. Pretendia que este lugar santo, o terceiro do Islão, fosse administrado por esta dinastia, enquanto Meca e Medina ficavam nas mãos dos Al Saud (Arábia Saudita). Vencedor e ao mesmo tempo senhor da Transjordânia e da Cisjordânia, Abdullah proclama em 1949 a unidade palestino-jordana e muda o nome do reino para “Reino Hachemita da Jordânia, sem o prefixo “Trans” ou “Cis”. Esta iniciativa ser-lhe-á fatal: a anexação “de facto” da Cisjordânia ao reino provoca a cólera dos palestinianos, que o assassinam em Jerusalém em 1951, no decorrer de uma visita à mesquita Al-Aqsa.

O reino torna-se refúgio de centenas de milhares de palestinianos expulsos pela guerra e pelo exército de Israel. Após a Guerra dos Seis Dias contra Israel (1967), a Jordânia perde a Cisjordânia e Jerusalem Oriental e é obrigada a receber mais de 300.000 palestinianos que fogem dos combates ou que são expulsos por Israel. A partir daí, mercê das vagas de refugiados, os palestinianos desenvolvem algo como um estado dentro do estado e a Jordânia torna-se numa base de rectaguarda dos grupos palestinianos, lançando acções contra Israel a partir do território jordano.

Os fluxos de palestinianos e a multiplicação de campos de refugiados não param. Deparamos então com uma transformação profunda da população jordana ao longo das décadas. Oficialmente existem cerca de 2 milhões de refugiados na Jordânia, mas objectivamente tornou-se maioritariamente palestiniana. A guerra que se iniciou em 2003 no Iraque agravou mais o problema. A retirada das tropas norte-americanas em 2011 aumentou o risco de instabilidade interna pois imensos refugiados iraquianos encaram a hipótese de permanecer definitivamente no país. O temor de que os islamitas jordanos possam seguir o exemplo do Hamas, conquistando o poder nas urnas, fez com que as leis eleitorais fossem revistas, reservando mandatos para mulheres e minoriais cristãs e circassianas no parlamento (quotas) e sobrerepresentando-se as zonas rurais em certos círculos eleitorais das tribos, supostamente leais ao regime, e sub-representando-se as zonas urbanas dominadas por jordanos de origem palestiniana, entre outros subterfúgios jurídicos.

MC

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